As Portas De Nosso Cárcere


As Portas De Nosso Cárcere

Observemos a porta dos nossos sentidos a fim de conduzirmos uma vida plena. Mantenhamos as portas dos prazeres sensoriais vigiadas pelo constante exercício da observação daquilo que é ... E que no instante seguinte já deixou de ser!
Concentremo-nos no reconhecimento da impermanência das coisas, e assim encontraremos o refúgio que buscamos para nossas dores, nascidas de nossos apegos, frutos de nossa ignorância transitória.
Ao mergulharmos no intrínseco silêncio do agora, podemos ouvir sua voz a nos dizer:
"Que teus ouvidos não te levem a ilusão de acreditares ser digno de elogios ou ofensas, pois tua essência impermanente não possui forma;
Que teus olhos não te guiem pela estrada da ganância, luxúria, inveja ou narcisismo, pois todo desejo dos olhos também é um apego ao sofrimento e a ilusão;
Que tua boca não te conduza pelo prazer dos excessos alimentares, nem te levem a transformar palavras em venenos fundamentados em tua ignorância egoísta;
Que teu olfato não seja responsável por despertar desejos contidos no âmbito de tua natural imaturidade contínua;
Que tuas mãos não manifestem gestos de violência nem alimentem a fome de teus sentidos;
Que sua mente tenha por hábito apenas praticar o Bem, purificar-se retirando os véus da ignorância e redescobrir-se como luz!"
Reconheçamos enfim, que as chaves para nossos cárceres ilusórios, têm como sentinelas nossos sentidos comandados por nosso desejo de se encarcerar.
Wladimir Calado

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